Introdução

   Como está o Ensino em Portugal? O que está bem? O que está mal? Perguntas relativamente frequentes, e perguntas cuja resposta é também relativamente frequente. No entanto, como nunca me pude levar a responder-lhes com o “bem”, “tudo” e “nada” (respectivamente) que, em maior ou menor grau, os que vejo à minha volta (sim, todos vocês aí desse lado do monitor, eu sei que sim…) costumam utilizar, senti-me levado a reflectir de uma forma um pouco mais aprofundada e a tentar desenvolver a modos que um paradigma alternativo para o ensino.

   De uma forma muito resumida, este passaria por, essencialmente, se separar as matérias umas das outras. Ou seja, em vez de termos este ciclo de leccionamento, este pacote de vinte ou trinta matérias diferentes (talvez não tantas, mas a ideia fica melhor expressa por intermédio de um exagero…), com a duração de um ano ou um semestre, consoante o grau do ensino, passaríamos a ter o que se poderia designar mini-ciclos de leccionamento (termo que também adoptei para designar este paradigma), correspondendo cada um a uma matéria individual ou a um grupo pequeno de matérias. Isto terá, como é óbvio, umas quantas implicações, que não posso deixar de explorar, mas, por agora, e nesta espécie de introdução genérica que decidi aqui fazer, basta deixar esta ideia muito geral, que é a de que, apenas subjugando a aprendizagem a esta unidade organizacional, poderá haver uma muito maior liberdade na escolha das matérias a aprender, o que torna o acto de andar na escola muito menos desagradável. Passarei a explicações mais aprofundadas nos pontos seguintes, que vos convido, se assim o entenderem, a ler.

1) Contestação – Porque é que devemos mudar o ensino?
2) Inovação – Como é que é este paradigma alternativo dos Mini-Ciclos de Leccionamento?
3) Comparação – O que é que ficaríamos a ganhar com os Mini-Ciclos de Leccionamento?
4) Revolução – Como é que podemos e porque é que devemos pôr em prática os Mini-Ciclos de Leccionamento?

   Tenho de deixar aqui os meus agradecimentos a todos os que, directa ou indirectamente, de uma forma ou de outra, me tem vindo a apoiar e têm vindo a apoiar esta iniciativa, aos quais dedico estas (bem como todas as restantes) palavras que aqui escrevo. Sem eles, sem vós, esta visão estaria ainda mais distante; pode ainda faltar um longo caminho, mas nós podemos, nós conseguiremos mudar este actual sistema de ensino. From unity comes strength, from strength comes the power to make the world a better place, se me permitem que recorra a uma linguagem estrangeira para me exprimir…

P.S.: Caso alguns leitores se recordem da versão anterior deste texto e a desejem reler, ela não desapareceu, podem encontrá-la aqui.

P.P.S.: Caso seja do vosso interesse, também podem encontrar uma exposição bastante resumida dos Mini-Ciclos de Leccionamento aqui.



Mini-Ciclos de Leccionamento – Um Paradigma Alternativo de Ensino
| Introdução | Contestação | Inovação | Comparação | Revolução |

17 comentários:

  1. Boa reflexao !!!!
    Vou estudar um pouco mais as
    suas propostas e prometo comentar em breve.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Agradeço todo o feedback possível, e o tempo despendido com a leitura de um documento tão longo. Parabéns por ter sido o primeiro comentário!

      Eliminar
  2. Penso que uma das questões que ainda não foram discutidas é a actual avaliação do ensino básico, ir numa escala de 1 a 5 e não se perceber a razão de não adoptar a mesma escala que no secundário do 0 a 20 valores. Tentarei exemplificar de forma sucinta e demonstrar o absurdo da escala que se pratica no ensino básico até 9º ano.
    1º caso: Manuel, aluno empenhado, faz os trabalhos de casa, testes, mas a sua média quase chegava ao 4 mas não chega ao 4... e então fica pelo 3.
    2º caso: antónio, aluno "baldas", forçado a ir às aulas, não faz trabalhos de casa, nos testes tira 2 ..quase 3
    Resultado: para que o António não fique retido, o professor dá-lhe um 3 e passa. O Manuel exemplar que se esforçou mas não conseguiu o 4 também fica também com 3 na pauta. Como se sentirá o Manuel? Que lições retira o Manuel destas avaliações? -" o meu esforço não foi reconhecido, compensado, porque o outro que é um baldes teve a mesma classificação que eu no final não vale a pena o esforço"-..já pensaram nisso?Alguém já se preocupou com esta avaliação dita sumativa?
    Outra realidade: Um aluno que tenha tido, 3 no 1º período, 3 no 2º período..já não precisa de se esforçar porque sabe de antemão que vai ter 3 obrigatoriamente ( mas se o professor lhe dá o 2 que efectivamente ele merece, o prof tem de explicar muito bem numa burocracia que nunca mais acaba porque razão este aluno não teve 3.) Tudo por causa da Avaliação sumativa.
    Outra realidade: Um aluno que tenha tido 2 no 1º período, 3 no 2º período, por muito que se tenha esforçado e trabalhado e era merecedor, nunca poderá ter 5 no 3º período. Não se pode passar do 2 para o 4, ou do 3 para o 5 ou regredir, ou seja do 4 para o 2 no fim...Alguém já se preocupou com este tipo de avaliação? Não! A maioria dos professores sabe disto mas tudo põe a cabeça na areia e finge que a situação não é grave. Estas injustiças estão acontecer silenciosamente de forma latente e os professores compactuam acomodados com isto sem nada fazerem para mudar estas situações. Acredito que esta avaliação sumativa é sem dúvida um dos "cancros" que levam muitos jovens a desmotivar e a não gostar da escola e até acredito que é um motor de incentivo à indisciplina. Tenho dito!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Antes de mais, muito obrigado pelo comentário. Porém, não posso deixar de discordar, a nível ideológico, do que foi dito. Se se recorda do que refiro, no sistema que proponho, cada matéria seria “avaliada” separadamente, eliminando a particularidade da avaliação sumativa de que fala. No entanto, no actual sistema, em que a matéria é dada de modo mais ou menos contínuo ao longo do ano, faz sentido a existência de uma certa continuidade na avaliação (não digo que tendo em conta a nota de final de período em todos os períodos seguintes, mas sim tendo em conta todos os elementos de avaliação ao longo do ano; penso que, nalguns casos, já se usa este sistema). Nesse sentido, tenho de discordar do que diz, porque um ano lectivo não está suficientemente segmentado para que se possa separar cada período (já que o que se teria de repetir seria todo o ano e não só o período em que se chumbou).
      Outra coisa de que tenho de discordar é a sua proposta de se adoptar uma escala de 0 a 20 logo no Ensino Básico. Faço-o principalmente no sentido em que qualquer escala de avaliação acaba por ser um pacto com a mediocridade, ou com a falta de esforço, no sentido em que, para muitos alunos, basta atingir uma nota positiva, e, quanto mais aberto o leque de notas, em essência menos se esforçará um aluno com essa atitude, porque lhe basta atingir os mínimos para o 10, enquanto que, no caso do 3, poderá fazer um pouco mais (que poderia corresponder a um 13, talvez), sem se aperceber disso. Reconheço que se pode dizer a avaliação mais aberta reconhece melhor os “bons” alunos, no sentido em que o “verdadeiro” valor de cada um é mais fielmente reflectido, mas também não concordo inteiramente; seria desmotivante (na minha perspectiva) um aluno ter uma nota de, por exemplo, 17,49, o que implicaria que a sua nota final fosse 17, enquanto que outro aluno que tivesse 18,5 talvez já tivesse 19.
      Isto, em essência, reflecte que nenhuma escala de avaliação é verdadeiramente justa (já que se pode invocar sempre o paradoxo de Zenão), mais que não seja porque poderá não reflectir, em essência, até que ponto o aluno sabe a matéria. Também não digo que, no meu sistema, a avaliação o pudesse verdadeiramente reflectir, mas acredito que a minha proposta seja, no mínimo, um pouco mais precisa a representar essa realidade do que os meios actuais. Mais a mais, teria a vantagem adicional de cada aluno ter de saber verdadeiramente a matéria, pois só passaria quem a soubesse (seria igual a tornar a nota mínima de passagem 19 ou 20, no sentido em que a exigência fosse saber praticamente todos os conteúdos); claro que isto, no sistema actual, não funcionaria tão bem, dado que as coisas estão mais orientadas para um aluno memorizar do que compreender, o que dificulta a obtenção de conhecimento (aliado a bons resultados, isto é).
      De qualquer forma, não deixe de reflectir e criticar! Todas as críticas ao sistema serão úteis, mais que não seja para demonstrar que nem tudo está bem!

      Eliminar
    2. Até que enfim que leio um comentário sensato que espelha bem a realidade das Escolas e esta avaliação tem como consequência, o aumento da indisciplina pois creio que está relacionada porque os alunos deparam-se com situações de muita injustiça que o Anónimo descreveu no seu comentário. Avaliação devia ser numa escala de 0 a 20 valores ou formal ou seja consoante os objectivos alcançados.

      Eliminar
    3. Caro Anónimo,

      Se me permite, gostaria de lhe colocar duas questões: em primeiro lugar, não considera que parte da indisciplina surge do desinteresse dos alunos, que, em última análise, surge de falhas na organização do sistema de ensino (e, eventualmente, na pedagogia, mas não vale propriamente a pena irmos por aí)? E, em segundo lugar, que justificações dá para o facto de a avaliação ter de ocorrer? Ou seja, considera mesmo que o aspecto central do ensino deve ser avaliar os alunos?

      Bom, se tiver tempo e se quiser, gostaria de saber como responde a estas questões. Em todo o caso, e mesmo que discorde de si, não posso deixar de lhe agradecer pelo comentário.

      Com os melhores cumprimentos,
      NSF

      Eliminar
  3. Talvez a leitura do meu texto não tenha sido a mais atenta, ou então eu não tenha conseguido explicar bem a situação por querer resumir, ou então que a teoria nem sempre funciona na realidade. É preciso dar oportunidade aos alunos para se manifestarem sobre esta avaliação e a maioria dos alunos acham "injusta" esta avaliação pela razão de ficarem confinados dentro de uma escala (não podem passar do 3 para o 5 mesmo tendo notas para isso, por exemplo e muitos ao saberem disso já não se esforçam.. mantêm-se) e equiparados aqueles que pouco trabalham mas para efeitos de diminuir as retenções, os professores dão-lhes o 3. Convido aqueles que se interessam por este tema que investiguem, averiguam a veracidade desta situação e cabem por verificar o absurdo da mesma.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Com o devido respeito, está enganado: entendi perfeitamente o que disse. Provavelmente, a falha foi da minha parte, ao não ter sido suficientemente conciso na minha resposta. Em essência, talvez se resuma a isto: o que diz faz algum sentido, pois é uma injustiça para os alunos afectados (aqueles que não são “ajudados”, quero eu dizer) e uma imperfeição do sistema, mas a separação dos períodos em termos de avaliação faria pouco sentido, pois só podem ser completados em conjunto, nunca separadamente (nos moldes actuais). Por outro lado, a existência de uma escala em si beneficia, à partida, a mediocridade, no sentido em que basta aprender “metade” dos conhecimentos para passar; isto não deveria ser assim: só se deveria passar quando se soubesse no mínimo 80% dos conhecimentos (mais ou menos a partir da nota 5 ou da nota 17, mais coisa, menos coisa). Isto, claro, faria pouco sentido se o ensino se continuasse a basear na memorização, pois um aluno teria de decorar 80% em vez de verdadeiramente saber/compreender os 80%, e prejudicaria aqueles que compreendem bem (mas decoram mal) em prol dos que decoram bem (mas compreendem mal), o que não seria desejável. Além disso, qualquer escala seria passível de gerar injustiças, por qualquer número ser infinitamente divisível, mas, na pauta, só surgirem números inteiros. Obviamente que a escala 0-20 gera menos injustiça do que 0-5, mas também dificulta, num certo sentido, que um aluno veja reconhecido ter atingido a "perfeição", o que, nalguns casos, poderia desmotivá-lo.
      De qualquer forma, não posso deixar de o felicitar pela sua determinação na luta por essa mudança, ainda que, pessoalmente, não possa concordar com ela, pelo segundo aspecto referido.

      Eliminar

  4. Chumbos até ao sexto ano subiram mais de 50% com Nuno Crato

    A escola funciona??? (Actualmente um modelo de 1982, importado do Chile)
    O que funciona é a industria da escola (a industria da educação) que precisa de ter matéria prima (alunos) para funcionar , para se manter activa e porque a sua massa critica tem vindo a diminuir por vias do abandono escolar e tambem por nascerem menos alunos , á que os chumbar, temos de os manter na escola o mais tempo possível, pois eles são o garante do funcionamento da industria .
    Industria que dá emprego a professores bons e maus (porque até não podem ser avaliados), a industria do parque escolar que movimenta milhões em construção , manutenção e demolição, a industria politica dos poleiros eruditos versus um sindicato poderoso, a industria e comércio alucinante dos livros, a das escolas particulares e da explicação (onde posso comprar a educação, do meu filho, mesmo que seja o sucesso da nulidade, para a minha satisfação e competição fomentada, pela comparação de o meu é melhor do que o teu).
    Temos de os chumbar, recompensar o seu esforço isso é que não. Em reunião com o director de turma, comunicou-nos que os trabalhos práticos não vão contar para nada, o que conta são os testes de avaliação e mesmo esses as notas não podem ser altas, não vão os meninos não corresponderem com as mesmas notas nos exames , porque depois se a diferença for acentuada a escola avaliada sofrerá no orçamento, o professor poderá ser despedido ou não colocado, portanto quem paga a fava é o aluno, que é compartimentado e programado (no estudo da matéria) sem se ter em conta as suas competências e vocações e mesmo assim se tiver um teste de 15 valores ,só lhe serão atribuídos 12 , não vá o aluno ter um dia mau no exame (nervosismo, indisposto, etc) e ao ter um resultado diferente lixar a industria da escola.
    Um pai preocupado ...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Rui Oliveira,

      Desculpe-me a demora, mas fui retido por motivos pessoais. Bom, compreendo o que diz e concordo plenamente consigo. Por mais que se queira fazer com que assim pareça, não podemos considerar que o actual sistema de ensino funciona. É, como diz e bem, uma indústria, mais uma oportunidade de negócios (como os colégios e as explicações, a que aponta, e bem, o dedo), mais uma fonte de matérias-primas (os alunos, grandemente instrumentalizados) para alimentar todo o restante paradigma social. E é exactamente por tudo isso que há muito tempo que deixei de aceitar passivamente o estado das coisas. É necessária mudança. São necessárias grandes alterações. O problema, o único (mas grande) problema, é reunir um número suficientemente grande de pessoas que também desejam essa mudança, e que estão dispostas a pugnar para a ver efectuada. Está connosco?

      Com os melhores cumprimentos,
      NSF

      Eliminar
  5. Na minha modesta avaliação do sistema, a minha principal preocupação prende-se com o período de vida antes da escola.

    ResponderEliminar
  6. Cara Espadaneira,

    Percebo perfeitamente a sua ideia. Num certo sentido, a formação de cada indivíduo, em termos do que é, de como age, de como pensa (portanto, do seu carácter e personalidade) começa muito antes sequer de entrar em contacto com o sistema de ensino. Por isso, percebo que considero mais digno de destaque e preocupação o período mais inicial da existência, e, num certo sentido, tenho de a apoiar. Ainda assim, tendo em conta que as experiências (em grande medida, negativas) que o ensino providencia àqueles que nele se incluem também tem um efeito significativo sobre a sua personalidade, também não podemos deixar de parte o esforço de tentar corrigir os males de que padece.

    Adicionalmente, tendo em conta que o ensino afecta não só o indivíduo, mas a sociedade como um todo, afigura-se-me que, melhorando este, se melhorará aquela, pelo que estaremos, em última análise, a tornar o mundo melhor. Admito que o mesmo poderia ser dito acerca das experiências anteriores à escola, mas estas, intrinsecamente, terão de ser melhoradas caso a caso, porque cada família é uma família e cada indivíduo é um indivíduo, e isso leva a que seja muito difícil apresentar uma solução geral para os males particulares, pelo que, pessoalmente, me prefiro dedicar a resolver os males gerais melhorando o ensino. Está disposta a colaborar?

    Com os melhores cumprimentos,
    NSF

    ResponderEliminar
  7. A sua beleza é superior à beleza dos deuses romanos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Anónimo,

      A eterna ambiguidade intrínseca a uma boa parte da Língua Portuguesa impede-me de determinar com qualquer grau de certeza se faz referência à ideia aqui descrita, a alguma pessoa que aqui possa ter comentado ou ao próprio autor deste texto (ainda que a comparação, se se tratar do primeiro caso, seja um pouco rocambolesca, mas, ainda assim, admissível).

      Se for o primeiro caso, agradeço imenso o apoio e a opinião. Se for o segundo caso, sugeriria que contactasse mais directamente a pessoa em causa, eventualmente no comentário em causa, porque há a possibilidade de essa pessoa não se aperceber da sua opinião. Se for o terceiro caso… bem, lamento ser o portador de más notícias, mas devo referir que muito provavelmente estará a cometer algum equívoco relativamente à minha pessoa, a não ser que limite as suas considerações mitológicas à figura de Vulcano… ainda assim, fico extremamente honrado (ainda que vagamente embaraçado…) por ser essa a sua opinião.

      Há, claro, a hipótese adicional de isto se tratar de alguma forma relativamente original de brincadeira, mas, se for esse o caso, não consigo discernir qualquer razão para a efectuar aqui, num blog (por ora) relativamente desconhecido… De qualquer das formas, não serei eu a impedir que exprima a sua opinião e que se manifeste como bem entender (desde que tal manifestação não constitua, a meu ver, qualquer tipo de melindre ou ofensa a pessoa alguma, ou saia fora dos limites da legalidade – ou, pelo menos, da noção que dela tenho), pelo que… enfim… proceda conforme a sua consciência lhe possa ditar…

      Cordialmente,
      NSF

      Eliminar
  8. Concordo plenamente com a ideia de mudança do ensino, visto que o mesmo foi criado para suprimir as necessidades da indústria e a sua necessidade de haver diferentes pessoas habilitadas para a mesma função. Assim, e apenas lendo a introdução à sua iniciativa (por preguiça de ler o resto, admito), nao consigo concordar plenamente com a ideia de ter um ensino mais direcionado (se a conclusao que fiz dos mini-ciclos está correta), porque há um conjunto básico (mais do que apenas 4 ou 6 anos de ensino igual) de conhecimentos que as pessoas em formação devem obter. Nao digo que esse ensino deva ser sobre matematica, portugues, ou ciencias. é obvio que aprender a ler e escrever coerentemente e saber efetuar operações matemáticas simples (e talvez de média complexidade) são conhecimentos essenciais a uma população, ao garante do progresso a partir de uma base comum a todos. mais direcionado para as crianças, acho que o seu ensino, complementando as bases, devia ter objetivos de incentivar à inovaçao, aos novos metodos, às novas teorias, as novas opinioes, ao inves de ficarmos parados evolutivamente por estarmos todos mecanizados dentro duma caixa, sem a capacidade de "partir a caixa" ou "ver para alem dela".

    Todo o sistema educacional precisa de ser reformulado, desde as prés ate ao 12º ano, passando por todos os anos. Este tópico é frequentemente abordado cá em casa, pois sendo eu um aluno que não concorda com o sistema e filho de uma professora de matemática, mecanizada ao nosso ensino e dentro do "esquema educacional", as opiniões costumam entrar em conflito.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Henrique Freitas,

      Antes de mais nada, agradeço pelo tempo despendido na leitura da minha proposta e na elaboração do comentário. Aproveito, também, para, desde logo, aprovar e aplaudir a intenção de reformular todo o sistema de ensino (da qual partilho, como creio ser óbvio…), bem como a determinação inerente à manutenção dos debates que refere…

      Dito isto, devo destacar que os mini-ciclos, tal como os vejo, não são exactamente potenciadores de um ensino mais direccionado, mas sim de um ensino mais flexível, no sentido em que se torna possível ser-se tão generalista ou tão aprofundado quanto se pretenda. Naturalmente, esta flexibilidade pode pôr um pouco em causa essa questão da transmissão de um conjunto de conhecimentos básicos e essenciais a todos os indivíduos, posto que, não sendo (ou não devendo, à partida, ser) obrigatório adquirir qualquer conhecimento, poderia sempre acontecer que houvesse alunos que pura e simplesmente decidissem não aprender nada. Este problema pode, no entanto, ser minorado, quer pelo facto de, garantindo que aprender é um acto muito menos desagradável do que o é hoje, se potenciar a vontade dos alunos de adquirir novos conhecimentos, quer pelo facto de se colocar como requisito mínimo para desempenhar qualquer tarefa (o que se traduz, na actual organização social, em ter qualquer emprego) precisamente o conjunto de conhecimentos que seria essencial qualquer cidadão ter, gerando, portanto, uma obrigatoriedade indirecta, que, a meu ver, destoa menos da filosofia de flexibilidade do que uma obrigatoriedade propriamente dita. Mas, claro está, isto é apenas uma proposta, e, como digo sempre, estou plenamente receptivo a todas as críticas, questões e sugestões dos leitores…

      Com os melhores cumprimentos,
      NSF

      Eliminar

Este espaço está à disposição de todos os leitores, seja para elogiar, seja para criticar, seja para, pura e simplesmente, comentar. O autor reserva para si o direito de responder conforme tenha disponibilidade.